- O QUE FENECE NO BRANCO DO EXAUSTO
- A TOUTINEGRA E O BOSQUE
Sou a tília e o orvalho - o rumor das vagas - do mar - o tiro de revólver e as nuvens - do intransponível -
O que se refracta - ante a palavra justa - o turvo vocábulo – de antónio nobre – as lanchas dos poveiros e os vendavais -
A lamparina esmalte - no prenúncio da neve - a gralha furtiva - o lapis-lazzuli e o coral -
Sou a pedra evanescente - a luz sequiosa de junho - o alto - da encosta - o que subsiste inenarrável - no sol-poente -
A pertinência do dizer – de joyce - no que se dissipa - a lava e a espuma - no frenesim do incêndio – o pallio verde -
Sou a mansarda sobre a areia dormente - o que fenece - no branco - do exausto - imprevidente ?-
A luz insensata - no frémito das marés – a lua - o santo - a cobra - junto às águas-furtadas - a orquídea e o gerânio -
Na minúcia dos relâmpagos - a toutinegra e o bosque - os mapas do exausto e o sete-estrello - a sexta-feira de paixão -
Sou empédocles - o poeta-nato - o viandante - a lâmina nas pedreiras - a voz do tácito - várzea - em chamas -
Sobre a ponte mirabeau – o spleen - de outrora – o azul do céu - a palavra primigénia e oblíqua – de max jacob -
A saciedade do prado e do musgo - a rã dos açudes e o rinoceronte mudo - no alento do irreversível -
NUVEM, PEDRA DA ANGÚSTIA
O que sub jaz irresoluto - no torpor vocabular - da escrita - especulativa –
febril – (in)apreensível -
Na vicissitude do branco - ominipotente - o vasto tumulto - do incêndio - a opacidade da noite ? -
O bosque-tela - cúpula de luz – nuvem - pedra da angústia - a ciência do incomensurável ?-
sexta-feira, 25 de junho de 2010
domingo, 20 de junho de 2010
A INCONGRUÊNCIA DO EXACTO
EURÍDICE
Saber-me no irressoluto – no meio do mar - junto das cisternas – a espessa floresta – de eurídice –
Pelo livro marrom – na lâmina do tranquilo – a cal especulativa – voz branca do definitivo -
Cúpula de luz - sobre a vicissitude – dos versos - a incongruência do exacto –
Pedra húmida dos alpendres - a nave do incêndio - os arcos – os lampadários –
PEDREIRA
Tu estás diante de mim – no branco - inapreensível – da cal - a voz inflamada -
Já não posso voltar atrás - nem fixar-me no passado – pelas pedreiras – as telas - a erva do indizível -
Matei os meus bois – como um possesso - desferi o tiro da mauser – despropositado -
Sob o que deflagra – queimei o lar desabitado – os choupos - junto à água turva - o retábulo iluminado -
Saber-me no irressoluto – no meio do mar - junto das cisternas – a espessa floresta – de eurídice –
Pelo livro marrom – na lâmina do tranquilo – a cal especulativa – voz branca do definitivo -
Cúpula de luz - sobre a vicissitude – dos versos - a incongruência do exacto –
Pedra húmida dos alpendres - a nave do incêndio - os arcos – os lampadários –
PEDREIRA
Tu estás diante de mim – no branco - inapreensível – da cal - a voz inflamada -
Já não posso voltar atrás - nem fixar-me no passado – pelas pedreiras – as telas - a erva do indizível -
Matei os meus bois – como um possesso - desferi o tiro da mauser – despropositado -
Sob o que deflagra – queimei o lar desabitado – os choupos - junto à água turva - o retábulo iluminado -
quarta-feira, 16 de junho de 2010
OS OBSCUROS MAPAS DO EXASPERADO
Para onde quer que me volte – os obscuros mapas – do exasperado –
A insidiosa lâmina de pedra - o branco do sal – geometria do insone -
Demência que ficou - do unicórnio - enebriado - o rumor - da tocadora de harpa -
O falcão incendiado - a convulsão das palavras - as nuvens espessas do reverso -
A cal do exíguo - o fulgor visionário – dos livros gregos - os sinais do omisso -
Nesses versos esquivos - o navio trácio – a película inacessível - hostil -
O que explode inimaginável - e resvala na voz das aves - a música do exausto -
As anémonas - do absoleto - sob a noite - a cegueira do íngreme - funânbulo pretexto -
A branca cortina do inadiável - nesse embalo - a lâmpada do arcano - o fronstipício -
A insidiosa lâmina de pedra - o branco do sal – geometria do insone -
Demência que ficou - do unicórnio - enebriado - o rumor - da tocadora de harpa -
O falcão incendiado - a convulsão das palavras - as nuvens espessas do reverso -
A cal do exíguo - o fulgor visionário – dos livros gregos - os sinais do omisso -
Nesses versos esquivos - o navio trácio – a película inacessível - hostil -
O que explode inimaginável - e resvala na voz das aves - a música do exausto -
As anémonas - do absoleto - sob a noite - a cegueira do íngreme - funânbulo pretexto -
A branca cortina do inadiável - nesse embalo - a lâmpada do arcano - o fronstipício -
terça-feira, 8 de junho de 2010
Severo Sarduy
1.
Frente ao corpo reclinado - inenarrável - a lâmpada estilhaçada -
O branco da tela - insinuante - lâmina ofuscante - que se extravia -
Na luz do avesso - a voz de severo sarduy - a música do inalterado -
2.
Sob os seus pés - a cortina branca - do arcano - a voz incendiada -
O recife de pedra e a lucidez dos líquenes - na noite - o musgo -
Inerte - a cal do ar - a torre - a voz fastidiosa - do intransponível -
A palavra do omisso -o frontispício - a nave - do indecifrável -
Frente ao corpo reclinado - inenarrável - a lâmpada estilhaçada -
O branco da tela - insinuante - lâmina ofuscante - que se extravia -
Na luz do avesso - a voz de severo sarduy - a música do inalterado -
2.
Sob os seus pés - a cortina branca - do arcano - a voz incendiada -
O recife de pedra e a lucidez dos líquenes - na noite - o musgo -
Inerte - a cal do ar - a torre - a voz fastidiosa - do intransponível -
A palavra do omisso -o frontispício - a nave - do indecifrável -
segunda-feira, 7 de junho de 2010
A lâmina da blasfémia
Rente ao arco - a nave do discernimento - a abóboda iluminada –
Sob os gerânios tentar discernir a lâmina da blasfémia - inenarrável -
Saber-me próximo do fastidioso – na falésia de mármore - a dolência-
Junto ao teu rosto – frente ao promontório - a lucidez do ofuscante –
Sob os gerânios tentar discernir a lâmina da blasfémia - inenarrável -
Saber-me próximo do fastidioso – na falésia de mármore - a dolência-
Junto ao teu rosto – frente ao promontório - a lucidez do ofuscante –
Nuvem do exíguo
Prescruto (te) cioso - (exasperado) - ante o esparso – o couraçado potemkim -
Sob a aura do que cessa – o incêndio - na palavra estilhaçada - do despropósito -
Inadvertido o céu – da escrita - a pedra do transe - na luz sonânbula - que emudece -
A nuvem do inócuo – o sono - em seu corpo mercurial - o branco do sal - precipitado -
O que subjaz - febril - na limpidez do obscuro - o torpor da voz - nuvem do exíguo ? -
Sob a aura do que cessa – o incêndio - na palavra estilhaçada - do despropósito -
Inadvertido o céu – da escrita - a pedra do transe - na luz sonânbula - que emudece -
A nuvem do inócuo – o sono - em seu corpo mercurial - o branco do sal - precipitado -
O que subjaz - febril - na limpidez do obscuro - o torpor da voz - nuvem do exíguo ? -
sábado, 5 de junho de 2010
O OLVIDO E A MEMÓRIA
Sou paracelso e paul klee - o olvido e a memória - a espuma nocturna e o labirinto -
Sobre o que me cega - o exasperado fulgor - da tela - a resoluta fala - que acena - nos confins do falacioso -
Quem se costuma ao desvario - a abdicação - a mutabilidade da voz - a palavra saturada - impenetrável ? -
Sou o delírio e o lapso - a amnésia e o homem da câmara de filmar - o cisne e a rosa - o que se derrama - imprevidente - no espesso -
Conheço bem a bétula e a argila rûnica - sobre as águas – o que deflagra no incontido - em vladivostok -
Sou a neve derretida e o pêndulo insaciado - trotsky - o frémito do desassosego - a indizibilidade do relâmpago -
Contra os muros - a luz turva do discreto - o inapreensivel – a insónia da pedra e a voz do inadiável -
Sou os líquenes no alento da terra – a medusa e o corpo alado – de ossip mandelstam -o retábulo em chamas junto da cisterna - a ninfa do insone -
No que ignoro – o viajante em cada imagem - estremunhado - a veemência do peregrino e a intentio barroca -
Sou a lava e a erva insensata - a lama e o nada - para sempre - o malévolo e o insuperável -
Sou o revólver da decência e a nave do anónimo – o corvo e o sal – do ilícito – a alucinação das anémonas e carl th.dreyer -
No branco empedrado do ar - o que emudece – na vertigem - a concha muda e a lágrima contida - o que perpassa - na elegia -
Sobre o que me cega - o exasperado fulgor - da tela - a resoluta fala - que acena - nos confins do falacioso -
Quem se costuma ao desvario - a abdicação - a mutabilidade da voz - a palavra saturada - impenetrável ? -
Sou o delírio e o lapso - a amnésia e o homem da câmara de filmar - o cisne e a rosa - o que se derrama - imprevidente - no espesso -
Conheço bem a bétula e a argila rûnica - sobre as águas – o que deflagra no incontido - em vladivostok -
Sou a neve derretida e o pêndulo insaciado - trotsky - o frémito do desassosego - a indizibilidade do relâmpago -
Contra os muros - a luz turva do discreto - o inapreensivel – a insónia da pedra e a voz do inadiável -
Sou os líquenes no alento da terra – a medusa e o corpo alado – de ossip mandelstam -o retábulo em chamas junto da cisterna - a ninfa do insone -
No que ignoro – o viajante em cada imagem - estremunhado - a veemência do peregrino e a intentio barroca -
Sou a lava e a erva insensata - a lama e o nada - para sempre - o malévolo e o insuperável -
Sou o revólver da decência e a nave do anónimo – o corvo e o sal – do ilícito – a alucinação das anémonas e carl th.dreyer -
No branco empedrado do ar - o que emudece – na vertigem - a concha muda e a lágrima contida - o que perpassa - na elegia -
sexta-feira, 4 de junho de 2010
Jacob partiu
Repetiam sem pausa “Amen”
Enclausurados na antiga Cripta
Permaneciam fixos com a alma dada
E a sensualidade amordaçada
Para que Deus estavam eles virados?
O Poeta morreu, mas jazia entranhado
Em cada pedra exaltada
Outrora por aquele mal-amado,
Daqueles que queriam a verdade.
“Como Senhores, permanecem ainda por aí
Nessa ilha impalpável,
Labirinto de pensamentos cruzados,
No meio dessas Gárgulas de pedra fossilizadas?
Como viveram com a negação da Puberdade,
O enterro de todo passado,
O odor da vulva nunca ousado,
O Labor como única armada
E o esquecimento como meta alcançada?
Continua ele a vaguear nesse lugar falado?
Subterrâneos ocultos àqueles á terra fixados
Os Dados serão lançados até ao tempo inalcançável
Quem os calará?
Elisabete Pires Monteiro
No branco, o olvido
Quem perscruta o corpo do exausto - a pedra irreconhecível – o incessante - a intangibilidade do osso -
Sob as cúpulas - as naves do convincente - lembra as nereides – cartago e shakespeare -
Ante o que se apressa na nuvem do exausto - a palavra do omisso - o que se extinguiu - na putrefacção - o pão do incontido ? -
Quem permanece insaciado - no branco - o olvido - o que se dilui - impronunciável -apaziguante -
Por entre o definitivo cede à luz do insuperável - a voz do intransponível – bizâncio -
Em desvairo retoma a cegueira – o sal do opaco - o desbastado - as arcas do inacessível ? -
Sob as cúpulas - as naves do convincente - lembra as nereides – cartago e shakespeare -
Ante o que se apressa na nuvem do exausto - a palavra do omisso - o que se extinguiu - na putrefacção - o pão do incontido ? -
Quem permanece insaciado - no branco - o olvido - o que se dilui - impronunciável -apaziguante -
Por entre o definitivo cede à luz do insuperável - a voz do intransponível – bizâncio -
Em desvairo retoma a cegueira – o sal do opaco - o desbastado - as arcas do inacessível ? -
domingo, 30 de maio de 2010
EPIGRAMMATA
ignoro a luz do exacto - o que se apressa no branco -
ut recitem tibi nostra rogas epigrammata - nole -
saber-me insaciado - na reverência do explícito -
a pedra do insone - a lâmpada única - que resvala -
ut recitem tibi nostra rogas epigrammata - nole -
saber-me insaciado - na reverência do explícito -
a pedra do insone - a lâmpada única - que resvala -
terça-feira, 27 de abril de 2010
BIRKENAU
1.
Em birkenau vivenciei o ignóbil - a infâmia -
A dor dos cárceres - no abismo da luz - o pranto -
2.
Rendido ao silêncio - a voz apátrida - fez-se muda -
Sobre chuva matutina - extraviada - o inerte -
3.
Relembro os corpos amontoados - os dias turvos -
A sinuosa trilha - do imundo e do perverso -
4.
No casario - selado de negro - tudo se dissipa –
Ladra um cão - o martírio parece não ter fim -
5.
Quem se recosta na pedra do inimaginável –
entre as lajes húmidas - na noite constelada –
Respira a custo – nos confins do frio e da desolação ?-
Revive o anelo vão da infância - a exausta linguagem ?-
6.
Quis tornar válido o milagre - e não descobri um jeito de escapar -
Em birkenau vivenciei o ignóbil - a infâmia -
A dor dos cárceres - no abismo da luz - o pranto -
2.
Rendido ao silêncio - a voz apátrida - fez-se muda -
Sobre chuva matutina - extraviada - o inerte -
3.
Relembro os corpos amontoados - os dias turvos -
A sinuosa trilha - do imundo e do perverso -
4.
No casario - selado de negro - tudo se dissipa –
Ladra um cão - o martírio parece não ter fim -
5.
Quem se recosta na pedra do inimaginável –
entre as lajes húmidas - na noite constelada –
Respira a custo – nos confins do frio e da desolação ?-
Revive o anelo vão da infância - a exausta linguagem ?-
6.
Quis tornar válido o milagre - e não descobri um jeito de escapar -
segunda-feira, 26 de abril de 2010
A MUDANÇA E O DES-SER
1.
Sob o opaco vislumbro uma atenas corrompida - a veemência do ultraje bancário -
Sinto-me abatido e perplexo - na inanição - o cerne da fraqueza -
Meu queixume se mantém - a arraigada voz do insensato - o que se abeira do imprevisto -
2.
Ignoro a constância do desalento - as invectivas exultantes - dos comissários -
Tudo capitula com a atrocidade – a aridez capitalista - a certidão de óbito – do marxismo -
3.
Quem assiste impassível ao jogo - na conivência dos séculos com o obsceno - o fascismo consumista ?-
Desconhece a vida una - os gracejos da plebe - o profundo anelo do lumpen proletariado ?-
4.
Perco-me na desvalidade face - de karl kraus - o distante e o lendário - o que transborda -
Nada apazigua o medo – para lá do palco da saturação – quem fixa a dor desamparada – inerte ?-
5.
Sei-me na lucidez da pedra - o exílio – testemunha do erro - da fatalidade? -
Que revolução permanente sobre ti espera - se torna aridez – intangibilidade – absoluta certeza? -
6.
O canto da zelosa ortodoxia – me parece insípido - a bem-aventurança -
Sou a mudança e o des-ser - a voz do hostil e o ouro do sabat –
A ascensão ao céu e o verdugo - os gerânios sobre o branco – da anarquia -
7.
Há-de sempre bastar-me a música do fugaz - o musgo negro - da beatitude -
A ilícita fantasia ou a invenção - nos trâmites do extraordinário - o verbo-puzzle -
Sob o opaco vislumbro uma atenas corrompida - a veemência do ultraje bancário -
Sinto-me abatido e perplexo - na inanição - o cerne da fraqueza -
Meu queixume se mantém - a arraigada voz do insensato - o que se abeira do imprevisto -
2.
Ignoro a constância do desalento - as invectivas exultantes - dos comissários -
Tudo capitula com a atrocidade – a aridez capitalista - a certidão de óbito – do marxismo -
3.
Quem assiste impassível ao jogo - na conivência dos séculos com o obsceno - o fascismo consumista ?-
Desconhece a vida una - os gracejos da plebe - o profundo anelo do lumpen proletariado ?-
4.
Perco-me na desvalidade face - de karl kraus - o distante e o lendário - o que transborda -
Nada apazigua o medo – para lá do palco da saturação – quem fixa a dor desamparada – inerte ?-
5.
Sei-me na lucidez da pedra - o exílio – testemunha do erro - da fatalidade? -
Que revolução permanente sobre ti espera - se torna aridez – intangibilidade – absoluta certeza? -
6.
O canto da zelosa ortodoxia – me parece insípido - a bem-aventurança -
Sou a mudança e o des-ser - a voz do hostil e o ouro do sabat –
A ascensão ao céu e o verdugo - os gerânios sobre o branco – da anarquia -
7.
Há-de sempre bastar-me a música do fugaz - o musgo negro - da beatitude -
A ilícita fantasia ou a invenção - nos trâmites do extraordinário - o verbo-puzzle -
segunda-feira, 19 de abril de 2010
A CRISE DECISIVA
1.
Quem desfila no meio de uma tempestade em chamas - inebriado -
De novo perpetua o inócuo e o insignificante - o infame - da linguagem -
Em incessante andamento - sob a curva do céu - para o extremo norte -
Quem vem pedir socorro? - Se converte em pedra - o destruído ? -
Neste perambular - desnecessário - donde vem - ilumina?
2.
Tudo se volve abismo iminente - naufrágio sem espectador - eco antigo -
Em vão procuro a enfastiada lucidez - o minotauro - o detalhe que me cega -
A crise decisiva é algo de crónico na humanidade - o tremor - inevitável -
Nenhum tempo é justo - o vazio se propaga - o unânime obscuro -
O subterfúgio impera - a catástrofe - golpe e ferida assoma -
3.
Estou apto para o circum-mundo - a casa-cárcere - o patíbulo -
O sentimento que prevalece é de um fim - de uma extinção -
Quem desfila no meio de uma tempestade em chamas - inebriado -
De novo perpetua o inócuo e o insignificante - o infame - da linguagem -
Em incessante andamento - sob a curva do céu - para o extremo norte -
Quem vem pedir socorro? - Se converte em pedra - o destruído ? -
Neste perambular - desnecessário - donde vem - ilumina?
2.
Tudo se volve abismo iminente - naufrágio sem espectador - eco antigo -
Em vão procuro a enfastiada lucidez - o minotauro - o detalhe que me cega -
A crise decisiva é algo de crónico na humanidade - o tremor - inevitável -
Nenhum tempo é justo - o vazio se propaga - o unânime obscuro -
O subterfúgio impera - a catástrofe - golpe e ferida assoma -
3.
Estou apto para o circum-mundo - a casa-cárcere - o patíbulo -
O sentimento que prevalece é de um fim - de uma extinção -
quinta-feira, 15 de abril de 2010
DOCILIDADE DA PEDRA
Quem acolhe o relâmpago - por sobre a erva do submerso - na luz do tumulto?
Retoma o fulgor da penumbra – a docilidade da pedra - no fundo dos salgueiros? -
Prevalece pelo absorto – o insaciado - na matéria desnuda - do cosmos ?
Retoma o fulgor da penumbra – a docilidade da pedra - no fundo dos salgueiros? -
Prevalece pelo absorto – o insaciado - na matéria desnuda - do cosmos ?
quarta-feira, 14 de abril de 2010
O IMENSCHURÁVEL, JORGE TAXA
Perplexo ante a indecibilidade - perpetuo o intrínseco -
Na detonação dos axiomas - o labirinto desconcertante -
Ilumino o obscuro – o alento irreversível - espesso - inumerável -
Prisioneiro dos antimundos - resvalo na falácia – verbal -
Da filosofia - a matemática do pretensioso - o compacto –
Atapeando o cânone do esparso - resvalo na inflexível - prosa -
Nesse intento - de uma mente em chamas - o prodigioso transe -
Na detonação dos axiomas - o labirinto desconcertante -
Ilumino o obscuro – o alento irreversível - espesso - inumerável -
Prisioneiro dos antimundos - resvalo na falácia – verbal -
Da filosofia - a matemática do pretensioso - o compacto –
Atapeando o cânone do esparso - resvalo na inflexível - prosa -
Nesse intento - de uma mente em chamas - o prodigioso transe -
segunda-feira, 12 de abril de 2010
MIGUEL EYQUEM, MONTAIGNE
1.
Enclausurado no alto da torre - junto ao que resvala - invertebrado -
Perpetuo a eloquência - o que se desmorona - na criação suspensa -
A tautologia - do insigne - o que se desvanece - no implícito -
2.
Embalado no branco da luz - as nuvens - reclino-me - no fugaz -
Na ténue escrita - o vago e inconsciente - écran do corpo - ilógico ? -
3.
O nemus opacum me tenta - a musa irredutível e a filosofia -
Bagatelas - por um massacre - junto ao que capitula - a voz -
Do explícito - a eclosão da pedra opaca - a lucidez - o obstinado ? -
4.
Regressas ao sal do desespero - a esse ritmo do invulnerado -
Nos confins do exíguo ? - Rumo à perpetuidade do incêndio -
O perambular - o grito e a voz do esparso - o olhar indescritível ? -
Enclausurado no alto da torre - junto ao que resvala - invertebrado -
Perpetuo a eloquência - o que se desmorona - na criação suspensa -
A tautologia - do insigne - o que se desvanece - no implícito -
2.
Embalado no branco da luz - as nuvens - reclino-me - no fugaz -
Na ténue escrita - o vago e inconsciente - écran do corpo - ilógico ? -
3.
O nemus opacum me tenta - a musa irredutível e a filosofia -
Bagatelas - por um massacre - junto ao que capitula - a voz -
Do explícito - a eclosão da pedra opaca - a lucidez - o obstinado ? -
4.
Regressas ao sal do desespero - a esse ritmo do invulnerado -
Nos confins do exíguo ? - Rumo à perpetuidade do incêndio -
O perambular - o grito e a voz do esparso - o olhar indescritível ? -
quarta-feira, 7 de abril de 2010
MARCEL DUCHAMP
1.
O anti artista aguarda sua vez - entre os panos de púrpura - a pintura do inepto - o vórtice -
Por entre a volúpia - vagueia - no rito da carência - pelos despojos do irrepetível - o omphalos -
Mediúnico - compacto - irrompe pela lâmpada indestrutível - o ilógico - a avidez do incêndio -
2.
No que intenta - afincado e constante - permanece na impossibilidade - a cegueira dos líquenes -
Fixa o ígneo - o inconsumido corpo - a deserção e os albergues da loucura - o oblíquo transe -
3.
Súbidto do caos - do prolífico - no que entrevê - devasta - de novo -
Sob o incólume - a escala descendente - ilumina o anónimo - pretexto da manufactura - o convulso -
Pelo relâmpago do inclassificado - transforma a hábil- recôndita arte- régia - mutilada -
4.
Quem se esgueira - no elucidativo - o hábil e o conceptual - o resoluto -
Prossegue na rendição perante o purgativo - o que irradia - o ríctus extrapolar -
Junto ao que levita - retoma o arcaico - a pedra e o vôo lírico ? -
O anti artista aguarda sua vez - entre os panos de púrpura - a pintura do inepto - o vórtice -
Por entre a volúpia - vagueia - no rito da carência - pelos despojos do irrepetível - o omphalos -
Mediúnico - compacto - irrompe pela lâmpada indestrutível - o ilógico - a avidez do incêndio -
2.
No que intenta - afincado e constante - permanece na impossibilidade - a cegueira dos líquenes -
Fixa o ígneo - o inconsumido corpo - a deserção e os albergues da loucura - o oblíquo transe -
3.
Súbidto do caos - do prolífico - no que entrevê - devasta - de novo -
Sob o incólume - a escala descendente - ilumina o anónimo - pretexto da manufactura - o convulso -
Pelo relâmpago do inclassificado - transforma a hábil- recôndita arte- régia - mutilada -
4.
Quem se esgueira - no elucidativo - o hábil e o conceptual - o resoluto -
Prossegue na rendição perante o purgativo - o que irradia - o ríctus extrapolar -
Junto ao que levita - retoma o arcaico - a pedra e o vôo lírico ? -
segunda-feira, 5 de abril de 2010
O DESABRIGO
Confinado à inútil trégua - da filosofia - o tremor - a nostalgia -
A mais extassiada retina - sobre nada - o sono que desaba -
Saber-me na veemência do inalcançado - as nuvens do fecundo -
Torpe sussurro da voz - o sequioso corpo - ao desabrigo -
Nenúfares - náufrago que pressinto - o interruptor metálico -
Lanterna - luz da cera que vislumbro - o rumor das orquídeas silvestres -
A mais extassiada retina - sobre nada - o sono que desaba -
Saber-me na veemência do inalcançado - as nuvens do fecundo -
Torpe sussurro da voz - o sequioso corpo - ao desabrigo -
Nenúfares - náufrago que pressinto - o interruptor metálico -
Lanterna - luz da cera que vislumbro - o rumor das orquídeas silvestres -
quarta-feira, 31 de março de 2010
ANTONIN ARTAUD
1.
Porque náusea - gerânios e escombros de alma - aresta facetada -
Mutação da dor - o delírio - sobre o cérebro – porta giratória –
Desfiguração - caos estomacal - poema inconcebível - transe -
Diz: porque pulsos expectantes - opacidade - lanterna obtusa -
Máscara petrificada - chama intacta - ressequida - osso indelevel-
Diz: porque inconsistência – lucidez - inaplacável desespero -
Ou asfixia - pesa-nervos – voz de pedra - humanidade morta - rodez -
Diz: porque o inexorável - negro céu - o demónio eloquente? -
2.
Porque o inescrutável – a conversão - o poema lúcido - a dose de peyotl -
Diz: porque o cataclismo – o corpo voraz - paralítico - a cura - o pedestinado passamento -
Ou voz do impróprio - a unânime morada do inflamável - as instruções do naturalismo mágico -
Porque a ressonância - dos tarahumaras – a fulgurância das vastidões vazias –
Diz: porque a bruxaria fisiológica – o rastejar – na lava – o inominado? -
Porque náusea - gerânios e escombros de alma - aresta facetada -
Mutação da dor - o delírio - sobre o cérebro – porta giratória –
Desfiguração - caos estomacal - poema inconcebível - transe -
Diz: porque pulsos expectantes - opacidade - lanterna obtusa -
Máscara petrificada - chama intacta - ressequida - osso indelevel-
Diz: porque inconsistência – lucidez - inaplacável desespero -
Ou asfixia - pesa-nervos – voz de pedra - humanidade morta - rodez -
Diz: porque o inexorável - negro céu - o demónio eloquente? -
2.
Porque o inescrutável – a conversão - o poema lúcido - a dose de peyotl -
Diz: porque o cataclismo – o corpo voraz - paralítico - a cura - o pedestinado passamento -
Ou voz do impróprio - a unânime morada do inflamável - as instruções do naturalismo mágico -
Porque a ressonância - dos tarahumaras – a fulgurância das vastidões vazias –
Diz: porque a bruxaria fisiológica – o rastejar – na lava – o inominado? -
terça-feira, 30 de março de 2010
WALTER BENJAMIN
Em porto bau - a pólvora do resoluto - a morfina do fugaz - as visões -
Desse mundo inapreendido - a voz do esotérico - os relâmpagos - da iluminação profana -
Saber-me na veemência do obscuro – o que ousa ser a falência – do anjo da história –
No que abdiquei - a possessão do corpo – o inevitável delírio - bolchevique -
Sobre o vazio - a nudez da pedra - o único e a sua propriedade – a decência -
Sobre o que inventamos – o inútil comedimento – a irrecusável luz - do mar -
Partir esquecendo os marinheiros de kronstadt - a santificação da revolta -
Desse mundo inapreendido - a voz do esotérico - os relâmpagos - da iluminação profana -
Saber-me na veemência do obscuro – o que ousa ser a falência – do anjo da história –
No que abdiquei - a possessão do corpo – o inevitável delírio - bolchevique -
Sobre o vazio - a nudez da pedra - o único e a sua propriedade – a decência -
Sobre o que inventamos – o inútil comedimento – a irrecusável luz - do mar -
Partir esquecendo os marinheiros de kronstadt - a santificação da revolta -
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