Sob a sonolência de heliogábalo busquei a lucidez do dandy stendhaliano
Tornei-me irrelevante - anónimo - a mosca de diógenes - o fôlego de adónis -
Abotoado como george brummel - a la recherche d’ une parole perdue -
Permaneço junto das túlipas - na voz diáfama de callímaco -
Sou o hóspede clandestino - que indaga a palavra do omisso -
A penumbra e o silêncio - o corpo ocioso de alcibíades -
Sou a erva húmida e o júbilo desnecessário - a indiscrição da pedra - antínoo -
O que se aprimora no frívolo - a suplicação do artifício – o intransponível spleen -
Porto, 14 Março 2010
segunda-feira, 15 de março de 2010
sábado, 20 de fevereiro de 2010
SEREIA
Lembro um diagrama antigo - a melancolia mesopotâmica - um resto de nogueira de altenburgo - um cacto na minha parede do sexto andar – o retrato do jovem ésquilo ali mesmo – sob a ponte de brooklim – a amplitude do deserto - sempre recomeçado - a terra extenuada que me prende – voz inimitável – da sereia – que me impele à doce ciência de que vivo - o cemitério marinho – sobre o ouro e a pedra – inflexível –
segunda-feira, 21 de dezembro de 2009
NO ENCALÇO DE UMA GOTA DE CHUVA, BOTTICELLI
- A MÚSICA DO INEXORÁVEL
1.
oiço o eco da sua voz nua - sob o quarto escurecido - o som da chuva rasteira - em meio às naves - a pedra do ilegível - dormente - sobre a luz trémula contemplo - as ravinas e os montes - a alta torre - a hybris em minha mente - pródiga em azul -
2.
- relutante ao "trotskismo eliotiano" - advogo a prática visionária - uma arte crédula - formal - o evento quântico - no que tento exprimir - ignoro - a primazia da prima philosophia - resta-me o pântano metafísico e a via láctea - perder-me na assimetria das crateras - a matemática dúplice -
3.
toco a luz sonânbula dos holofotes - a ardósia e a neve - sinto-me perdido - junto a um livro de épicuro - reproduções das drip-paintings de pollock - rebolo-me no ávido - o incissivo - dentro do que se repercute - penso nas marés-vivas - num espelho e em whithead - a dualidade sem dualismo - a matéria e o vacuum -
4.
quem vislumbra - minhas pupilas cerradas - sob a boina vasca - desde o início o sumptuoso - o peso do incurável - no alento - da imortalidade - a voragem do desvario - as imagens que desfilam na retina - enquanto aceleras ? -
5.
- rumo ao dócil - imóvel - sobre o edredão inabalável - busco o impetuoso - o milagre profano - no encalço de uma gota de chuva - botticelli - a penúria do exangue - o proscrito corpo - na opacidade do irredimível - ? -
6.
- ela franze os pulsos e reclina os tornozelos - sob a manta roxa - em chamas - conivente - me concede abrigo - para lá da vicissitude - a música do inexorável - furta-se à sonolência da erva - sobre o inconsolável - ?
Porto, 21 Dezembro 2009
1.
oiço o eco da sua voz nua - sob o quarto escurecido - o som da chuva rasteira - em meio às naves - a pedra do ilegível - dormente - sobre a luz trémula contemplo - as ravinas e os montes - a alta torre - a hybris em minha mente - pródiga em azul -
2.
- relutante ao "trotskismo eliotiano" - advogo a prática visionária - uma arte crédula - formal - o evento quântico - no que tento exprimir - ignoro - a primazia da prima philosophia - resta-me o pântano metafísico e a via láctea - perder-me na assimetria das crateras - a matemática dúplice -
3.
toco a luz sonânbula dos holofotes - a ardósia e a neve - sinto-me perdido - junto a um livro de épicuro - reproduções das drip-paintings de pollock - rebolo-me no ávido - o incissivo - dentro do que se repercute - penso nas marés-vivas - num espelho e em whithead - a dualidade sem dualismo - a matéria e o vacuum -
4.
quem vislumbra - minhas pupilas cerradas - sob a boina vasca - desde o início o sumptuoso - o peso do incurável - no alento - da imortalidade - a voragem do desvario - as imagens que desfilam na retina - enquanto aceleras ? -
5.
- rumo ao dócil - imóvel - sobre o edredão inabalável - busco o impetuoso - o milagre profano - no encalço de uma gota de chuva - botticelli - a penúria do exangue - o proscrito corpo - na opacidade do irredimível - ? -
6.
- ela franze os pulsos e reclina os tornozelos - sob a manta roxa - em chamas - conivente - me concede abrigo - para lá da vicissitude - a música do inexorável - furta-se à sonolência da erva - sobre o inconsolável - ?
Porto, 21 Dezembro 2009
quinta-feira, 17 de dezembro de 2009
A TÚLIPA EM CHAMAS
- A VOZ DO IRREDUTÍVEL
1.
sob os penhascos um promontório
o contorno de uma torre alucinada
um rasgão a luz molhada do horizonte
a cabeça de uma cabra soerguendo-se
2.
quem balança em rodopio no cume de ardósia
junto ao que resvala galga o imprevisível
sorve em funda lama e a geada o céu aquoso?
3.
diz-me a altivez imóvel das pedreiras
sob a lousa oblíqua o sucinto passado
junto ao que ignoro o hálito da voz irredutível
o ouro que se oculta na túlipa em chamas
as sebes no ar a giesta esquiva inexpressiva
1.
sob os penhascos um promontório
o contorno de uma torre alucinada
um rasgão a luz molhada do horizonte
a cabeça de uma cabra soerguendo-se
2.
quem balança em rodopio no cume de ardósia
junto ao que resvala galga o imprevisível
sorve em funda lama e a geada o céu aquoso?
3.
diz-me a altivez imóvel das pedreiras
sob a lousa oblíqua o sucinto passado
junto ao que ignoro o hálito da voz irredutível
o ouro que se oculta na túlipa em chamas
as sebes no ar a giesta esquiva inexpressiva
MANHÃ DE PRATA
- VOZ DO TERRESTRE
1.
resta-me soletrar o rumor do mar em meio às naves- vislumbrar o livro do inóspito - retomar o exausto- o que se desvanece no ouro - da folhagem - as nuvens do oriente -
2.
o que assoma no alto da montanha - resvala silencioso - quase me faz acreditar na voz do terrestre - a égua branca - na escuridão - a torre de areia na manhã de prata ? -
3.
sob essas nuvens do céu - o que perpassa voraz - me enebria - teu corpo - entre a luz e a pedra da demência - incandesce -
4.
através do desabitado - a altivez da cabra nua - a inteira blasfémia - junto ao que soçobra - o mais ínfimo corpo - na penumbra -
Porto, 19 Dezembro 2009
1.
resta-me soletrar o rumor do mar em meio às naves- vislumbrar o livro do inóspito - retomar o exausto- o que se desvanece no ouro - da folhagem - as nuvens do oriente -
2.
o que assoma no alto da montanha - resvala silencioso - quase me faz acreditar na voz do terrestre - a égua branca - na escuridão - a torre de areia na manhã de prata ? -
3.
sob essas nuvens do céu - o que perpassa voraz - me enebria - teu corpo - entre a luz e a pedra da demência - incandesce -
4.
através do desabitado - a altivez da cabra nua - a inteira blasfémia - junto ao que soçobra - o mais ínfimo corpo - na penumbra -
Porto, 19 Dezembro 2009
sexta-feira, 4 de dezembro de 2009
UM MAR DE LILASES
- LIBÉLULA, PRAÇA DE PEDRA
1.
em caminha retive as imagens da insensatez - na órbitra do incêndio - adormeci -
junto às velhas muralhas - sobre as quatro vigas - do atelier - abeirei-me do improvável - a morna sonolência das pedreiras - os juncos -
2.
sou safo catulo e villon - moisés e elias - o porto e a baía - no seu corpo convulso -
a maresia - o tigre astucioso e o cipreste - a desvanecida alga - em chamas - sobre um livro -
a areia exacta e a fímbria da pedra - a libélula esquiva - a coroa astral -
a voz recôndita e a praça dourada - de pó - a música do incompreensível -
o que se esvai - na onda viril - do intacto - a página branca - a cegueira do visível -
3.
quem se inscreve nesta viagem - pelos albergues da loucura - fome do sedento -
caminha sobre um mar de lilases - os cardos - pelo inconstante - a lanterna da prece - as imagens do límpido? -
4.
no calor das águas furtadas - vislumbrei - a sua cabeleira solta - a loucura secreta - da sereia -
suspenso na nudez tremente - infranqueável - contemplei - o seu sexo - clarão - sob o céu obscurecido -
por detrás do lençol - os ombros - o mais fremente -
5.
no desvalido corpo - da pintura - o ouro do sabat - um freixo - a voz diáfana -
a pedra opaca - sobre a luz dos relâmpagos – que sobe do meu peito - o granizo - penetrando nos ossos - ?
6.
permaneces quase a descoberto - numa voz escondida - repassada de cal - na erva húmida -
o fuscado pelo pudor - a lâmpada muda - mar anunciado - azul exultante - onde a pietas habita - o grito - entre aberto ?
Porto, 4 Dezembro 2009
1.
em caminha retive as imagens da insensatez - na órbitra do incêndio - adormeci -
junto às velhas muralhas - sobre as quatro vigas - do atelier - abeirei-me do improvável - a morna sonolência das pedreiras - os juncos -
2.
sou safo catulo e villon - moisés e elias - o porto e a baía - no seu corpo convulso -
a maresia - o tigre astucioso e o cipreste - a desvanecida alga - em chamas - sobre um livro -
a areia exacta e a fímbria da pedra - a libélula esquiva - a coroa astral -
a voz recôndita e a praça dourada - de pó - a música do incompreensível -
o que se esvai - na onda viril - do intacto - a página branca - a cegueira do visível -
3.
quem se inscreve nesta viagem - pelos albergues da loucura - fome do sedento -
caminha sobre um mar de lilases - os cardos - pelo inconstante - a lanterna da prece - as imagens do límpido? -
4.
no calor das águas furtadas - vislumbrei - a sua cabeleira solta - a loucura secreta - da sereia -
suspenso na nudez tremente - infranqueável - contemplei - o seu sexo - clarão - sob o céu obscurecido -
por detrás do lençol - os ombros - o mais fremente -
5.
no desvalido corpo - da pintura - o ouro do sabat - um freixo - a voz diáfana -
a pedra opaca - sobre a luz dos relâmpagos – que sobe do meu peito - o granizo - penetrando nos ossos - ?
6.
permaneces quase a descoberto - numa voz escondida - repassada de cal - na erva húmida -
o fuscado pelo pudor - a lâmpada muda - mar anunciado - azul exultante - onde a pietas habita - o grito - entre aberto ?
Porto, 4 Dezembro 2009
sábado, 28 de novembro de 2009
A INDECIBILIDADE, O ALTO

- PUNCTUATED EQUILIBRIA
1.
Não me escrevas - deslumbra - meu corpo que se desdobra -
Junto a Shelley - a veracidade da demência - em Rotterdam - minha vocação da penúria - inconfessada -
Sou o Circum Mundo - o Alto - que não vês - o Quantum Chaos - a confrontação - o incessante -
Desde a Suméria até Sefarad - já conheci o êxodo - a falácia do verbo - indispensável -
Sou espanto desnudo do caminho - Epiménides - a nuvem herética - o ininterrupto -
O rumor de um largo escrito - na orla da noite - a partitura iluminada -
Sou o prado e a cabra luminosa - o que sussurra - a boca muda de Riemann -
A voz que prescinde dos números primos e a trepadeira imóvel - no Vale de Loire -
O indemonstrável - o penhasco e o osso - Gramsci - um cervo ferido -
Sou o canto indizível - num espectro de pedra - um diagrama antigo - Asclépio - Hermes - Serápio -
Uma luz sonolenta e o orvalho inconsistente - o céu a descoberto -
A neve e a erva dócil junto da cisterna - a música do incorrigível -
Sou a abóbada e a nave do incêndio - Notre Dame - os partigiani -
Cada manhã - sob a voz obscura que finda - Kurt Godel -
2.
Sou a verdade e a mentira - a indecidibilidade - o sétimo mandamento -
O éter e o jovem Euclides enlouquecido - o chapéu de David Hilbert -
Por sobre o bosque ermo - o relâmpago - sob os carvalhos -
Apenas vejo o vago e o fugaz - quando o incêndio espreita -
Sobre a cúpula da catedral - o impenetrável Charles Sanders Peirce -
3.
Sou o corpo inabalável - de Kavafis - um jovem inerme e sonânbulo - o frenesi do anónimo me possui -
Imune ao deserto – o pueril – a urgência estética – meu coração se detêm -
Quem se atreve a renunciar – cede ao que clama – o jovem Kafka – a erva e o vento – o alusivo -
Persiste no ópio - a fala minuciosa e a escuta - a voz do lúcido – a inconsistência -
Quem em Palo Alto - renuncia aos dias futuros - a equação do impróprio - a quebrada luz -
Do esplendor - se apressa - sobre o mar - confinado ao desejo e a ímpia nudez - o grito ocre -
Quem cerrando os olhos - permanece perante o impossível - no desamparo metafísico -
Sobre a cisterna - a lâmpada - os lábios do sedento - ?
4.
Sou a cláusula celeste - a voz do prematuro - o Brahma - Nada Absoluto -
Permaneço nesse êxtasse - a convulsão - junto a Emily Dickinson - a Via Láctea -
Sou o mapa - o relâmpago – a música do contraditório – o não – e – a intangibilidade -
Rendido ao alento da loucura - junto ao muro da inexpressão - escuto o vazio - que tudo inclui - Caravagio -
Na língua do silêncio - o som primigénio - na noite - de John Cage -
O relinchar do potro - no ar - o sal desnecessário - a circunferência sobre o orvalho -
Sou a Arca da Aliança - a pedra inclassificável - o clinâmen - o precipício distinto -
Na incumbência do deserto - o que se desmorona - incendeia -
1.
Não me escrevas - deslumbra - meu corpo que se desdobra -
Junto a Shelley - a veracidade da demência - em Rotterdam - minha vocação da penúria - inconfessada -
Sou o Circum Mundo - o Alto - que não vês - o Quantum Chaos - a confrontação - o incessante -
Desde a Suméria até Sefarad - já conheci o êxodo - a falácia do verbo - indispensável -
Sou espanto desnudo do caminho - Epiménides - a nuvem herética - o ininterrupto -
O rumor de um largo escrito - na orla da noite - a partitura iluminada -
Sou o prado e a cabra luminosa - o que sussurra - a boca muda de Riemann -
A voz que prescinde dos números primos e a trepadeira imóvel - no Vale de Loire -
O indemonstrável - o penhasco e o osso - Gramsci - um cervo ferido -
Sou o canto indizível - num espectro de pedra - um diagrama antigo - Asclépio - Hermes - Serápio -
Uma luz sonolenta e o orvalho inconsistente - o céu a descoberto -
A neve e a erva dócil junto da cisterna - a música do incorrigível -
Sou a abóbada e a nave do incêndio - Notre Dame - os partigiani -
Cada manhã - sob a voz obscura que finda - Kurt Godel -
2.
Sou a verdade e a mentira - a indecidibilidade - o sétimo mandamento -
O éter e o jovem Euclides enlouquecido - o chapéu de David Hilbert -
Por sobre o bosque ermo - o relâmpago - sob os carvalhos -
Apenas vejo o vago e o fugaz - quando o incêndio espreita -
Sobre a cúpula da catedral - o impenetrável Charles Sanders Peirce -
3.
Sou o corpo inabalável - de Kavafis - um jovem inerme e sonânbulo - o frenesi do anónimo me possui -
Imune ao deserto – o pueril – a urgência estética – meu coração se detêm -
Quem se atreve a renunciar – cede ao que clama – o jovem Kafka – a erva e o vento – o alusivo -
Persiste no ópio - a fala minuciosa e a escuta - a voz do lúcido – a inconsistência -
Quem em Palo Alto - renuncia aos dias futuros - a equação do impróprio - a quebrada luz -
Do esplendor - se apressa - sobre o mar - confinado ao desejo e a ímpia nudez - o grito ocre -
Quem cerrando os olhos - permanece perante o impossível - no desamparo metafísico -
Sobre a cisterna - a lâmpada - os lábios do sedento - ?
4.
Sou a cláusula celeste - a voz do prematuro - o Brahma - Nada Absoluto -
Permaneço nesse êxtasse - a convulsão - junto a Emily Dickinson - a Via Láctea -
Sou o mapa - o relâmpago – a música do contraditório – o não – e – a intangibilidade -
Rendido ao alento da loucura - junto ao muro da inexpressão - escuto o vazio - que tudo inclui - Caravagio -
Na língua do silêncio - o som primigénio - na noite - de John Cage -
O relinchar do potro - no ar - o sal desnecessário - a circunferência sobre o orvalho -
Sou a Arca da Aliança - a pedra inclassificável - o clinâmen - o precipício distinto -
Na incumbência do deserto - o que se desmorona - incendeia -
quinta-feira, 26 de novembro de 2009
BODE - RELÂMPAGO - ALTA VEREDA ESCURA
- RÉSTIA DO BRANCO
1.
sob o bosque de névoa - o relâmpago - junto do regato - inacessível - para lá da escarpa - um bode saltitante - abeira-se do abismo - despenha-se - do alto -
2.
aqui a vereda escura e turva nuvem - o descampado - que me cobre - a nave - hermética - da insónia -
3.
o âmago da pedra sobre nada - o som do ignoto - um bafo ecoando - na neve -
4.
perco-me na réstia do branco e o orvalho furtivo - a montanha - o resplendente pêlo - os chifres sem nome - na noite - suas órbitras piedosas -
5.
sobre o augúrio - a sombra endemoniada - que acena sobre o que incendeia - uma árvore desbastada -
Porto, 26 Novembro 2009
1.
sob o bosque de névoa - o relâmpago - junto do regato - inacessível - para lá da escarpa - um bode saltitante - abeira-se do abismo - despenha-se - do alto -
2.
aqui a vereda escura e turva nuvem - o descampado - que me cobre - a nave - hermética - da insónia -
3.
o âmago da pedra sobre nada - o som do ignoto - um bafo ecoando - na neve -
4.
perco-me na réstia do branco e o orvalho furtivo - a montanha - o resplendente pêlo - os chifres sem nome - na noite - suas órbitras piedosas -
5.
sobre o augúrio - a sombra endemoniada - que acena sobre o que incendeia - uma árvore desbastada -
Porto, 26 Novembro 2009
quarta-feira, 25 de novembro de 2009
O INOLVIDÁVEL GATO
- SILENTE
O inolvidável gato – persa - espírito aclarado - se distende - sobre o meu peito - defronte ao cabalete - súbito no branco - da tela - a orla da noite - altivo - permanece - silente - através da luz - no atelier - em esboço - vou filtrando sua impávida retina - concentrada -
O inolvidável gato – persa - espírito aclarado - se distende - sobre o meu peito - defronte ao cabalete - súbito no branco - da tela - a orla da noite - altivo - permanece - silente - através da luz - no atelier - em esboço - vou filtrando sua impávida retina - concentrada -
PITAGÓRICA TRAMA
- DO IRRESOLUTO
Quem emerso no irresoluto - se expõe - no branco - ouro e azul -
Permanece pelo apaziguado - a premeditada geometria -
Pitagórica trama - flama – força e desvelo - sombra amena -
Faz brotar a luz - a voz do prolixo – o imerso corpo - da pintura -
Na constância da pedra desnuda - a nave - fixa o inexplícito
Junto ao que se dissipa - ténue brilho - a divina proporção -
Quem emerso no irresoluto - se expõe - no branco - ouro e azul -
Permanece pelo apaziguado - a premeditada geometria -
Pitagórica trama - flama – força e desvelo - sombra amena -
Faz brotar a luz - a voz do prolixo – o imerso corpo - da pintura -
Na constância da pedra desnuda - a nave - fixa o inexplícito
Junto ao que se dissipa - ténue brilho - a divina proporção -
segunda-feira, 23 de novembro de 2009
O CORPO, SONO LEVE
- VOZ DO INSOLÚVEL
1.
diz-me o que assoma na retina - ténue luz – desfocada - sobre o branco da tela - a nudez reflectida - imagem após imagem - a música e a pedra - inacessível -?
2.
contemplo o que se esvai - no traço - do áreo - tua oculta fisionomia - o corpo - sono leve – que me incendeia - a voz do insolúvel - o que ascende -
1.
diz-me o que assoma na retina - ténue luz – desfocada - sobre o branco da tela - a nudez reflectida - imagem após imagem - a música e a pedra - inacessível -?
2.
contemplo o que se esvai - no traço - do áreo - tua oculta fisionomia - o corpo - sono leve – que me incendeia - a voz do insolúvel - o que ascende -
O CORPO SOBRE A LUZ EMUDECIDA
- O IMPONDERÁVEL
1.
sob o que cessa - o incisivo corpo -
junto ao que tarda - o que se esvai -
na pedra sobre a luz emudecida
2.
o branco que aflui e ilumina a voz
- do imponderável - quando te despes -
o ímpeto da beleza - inapreensível - ?
Porto, 23 Outubro 2009
1.
sob o que cessa - o incisivo corpo -
junto ao que tarda - o que se esvai -
na pedra sobre a luz emudecida
2.
o branco que aflui e ilumina a voz
- do imponderável - quando te despes -
o ímpeto da beleza - inapreensível - ?
Porto, 23 Outubro 2009
terça-feira, 17 de novembro de 2009
O ALTO DA MONTANHA, A CABRA
- O INDESCRITÍVEL
1.
Por trás do brilho da pedra - a luz do inexorável -
O alto da montanha - o ilimitado - que a céu aberto se perfilha -
A neve espessa - que assoma na retina - indescritível -
Sobre a nuvem - o musgo - uma cabra - reflectida -
2.
No abismo - de mansinho roçando - eu vi-te - em fuga - junto à lâmpada imóvel -
Pelo desfiladeiro - o azul do aéreo - na despercebida encosta - do exausto -
1.
Por trás do brilho da pedra - a luz do inexorável -
O alto da montanha - o ilimitado - que a céu aberto se perfilha -
A neve espessa - que assoma na retina - indescritível -
Sobre a nuvem - o musgo - uma cabra - reflectida -
2.
No abismo - de mansinho roçando - eu vi-te - em fuga - junto à lâmpada imóvel -
Pelo desfiladeiro - o azul do aéreo - na despercebida encosta - do exausto -
segunda-feira, 16 de novembro de 2009
DO ALTO AS NAVES
- NO RASTRO DO TÁCITO
1.
Que pedra desliza - do alto cume - ignoro -
O voo da ave - o que desaba - nas nuvens -
Meu chão de lages – as cabras - sobre o incêndio -
2.
O que nos circunscreve às naves - a noite inacessível -
O branco - a cal dos frontispícios - a própria voz furtiva -
No rastro do tácito - ao invisível – o que não cessa -
Porto, 16 nov. 2009
1.
Que pedra desliza - do alto cume - ignoro -
O voo da ave - o que desaba - nas nuvens -
Meu chão de lages – as cabras - sobre o incêndio -
2.
O que nos circunscreve às naves - a noite inacessível -
O branco - a cal dos frontispícios - a própria voz furtiva -
No rastro do tácito - ao invisível – o que não cessa -
Porto, 16 nov. 2009
sexta-feira, 13 de novembro de 2009
ÎLE SAINT-LOUIS
Je me retourne souvent – sur Paris et son île – les yeux – surtout les yeux – la voix – ce feu – Qui nous hante
Je ne sais pas oublier la voix – la respiration – ô flamme – le mal au coeur
Je marche solitaire – en fumant – au dessus de l’eau – la pluie – les jours des jours – j’essais de te retrouver
Je ne sais pas oublier la voix – la respiration – ô flamme – le mal au coeur
Je marche solitaire – en fumant – au dessus de l’eau – la pluie – les jours des jours – j’essais de te retrouver
terça-feira, 10 de novembro de 2009
O FRÉMITO DA PALAVRA OBSTINADA
SOB AS ARCADAS, A CONVULSÃO DO AÉREO
1.
transpondo a voz - de robert browning - a desmedida do incêndio - o que vacila -
na orla da noite - pela intempérie - súbita a clarividência do excesso -
2.
junto ao parapeito da janela- um odor salino - dissolvendo-se - o sono austero - o redobrado alento - da nudez -
o que se furta ao incontido - nos sinais do anónimo - a veemência do pleno -
3.
sob as arcadas - a sobriedade da erva e o premente corpo - a pedra do desvaste -
o relâmpago - onde me precipito - o que se furta ao dizer - na língua do exausto - os gerânios -
4.
o êxtasse - inacessível- animal que invoco - o assíduo olhar - nos confins do longínquo
- a música do inóspito - a convulsão do aéreo - o abutre e a cisterna -
5.
ante a lucidez do inexplícito - o que subsiste pelo ininterrupto - se evola no branco - o que assoma no tremor - pela cegueira do exímio - o frémito da palavra obstinada -
6.
pelo alto da falésia - o que se entrelaça - no vento e na água - as constelações do esquivo -
o azul do céu - interminável - o musgo inconsolável - uma rã sumindo-se -
1.
transpondo a voz - de robert browning - a desmedida do incêndio - o que vacila -
na orla da noite - pela intempérie - súbita a clarividência do excesso -
2.
junto ao parapeito da janela- um odor salino - dissolvendo-se - o sono austero - o redobrado alento - da nudez -
o que se furta ao incontido - nos sinais do anónimo - a veemência do pleno -
3.
sob as arcadas - a sobriedade da erva e o premente corpo - a pedra do desvaste -
o relâmpago - onde me precipito - o que se furta ao dizer - na língua do exausto - os gerânios -
4.
o êxtasse - inacessível- animal que invoco - o assíduo olhar - nos confins do longínquo
- a música do inóspito - a convulsão do aéreo - o abutre e a cisterna -
5.
ante a lucidez do inexplícito - o que subsiste pelo ininterrupto - se evola no branco - o que assoma no tremor - pela cegueira do exímio - o frémito da palavra obstinada -
6.
pelo alto da falésia - o que se entrelaça - no vento e na água - as constelações do esquivo -
o azul do céu - interminável - o musgo inconsolável - uma rã sumindo-se -
O CLARÃO DO ABAT-JOUR
- A VOZ DO SOLÍCITO
a voz do solícito e o corpo do irrepreensível
na noite humedecida o clarão do abat-jour
junto da parede branca a indolência da neve
o sussuro do irreprimível coração e as nuvens
sobre o orvalho a timidez quando a luz desponta
o anjo infinito impassível que resvala no exausto
a voz do solícito e o corpo do irrepreensível
na noite humedecida o clarão do abat-jour
junto da parede branca a indolência da neve
o sussuro do irreprimível coração e as nuvens
sobre o orvalho a timidez quando a luz desponta
o anjo infinito impassível que resvala no exausto
sexta-feira, 6 de novembro de 2009
CAMPO DI FIORI
giordano bruno
1.
junto do céu largo em campo di fiori
vislumbrei a agonia de giordano bruno
o incêndio e a inanição sobre as nuvens
o clamor do hediondo e o instante funesto
2.
há muito apreendi o tremor que o céu cala
silencioso e trémulo permaneço sem alento
um indescritível pavor me ensombra a alma
a prudência reclama a língua da estranheza
3.
como hei-de eu enfrentar a astúcia e a mentira
perdoando aos que exultam a auctoritas divina
lacônicos julgam sobriamente a voz do sagaz
4.
no rasto do que se expande o crime se mantém
o absurdo mata de novo e a arrogância ascende
Porto, 6 Novembro 2009
1.
junto do céu largo em campo di fiori
vislumbrei a agonia de giordano bruno
o incêndio e a inanição sobre as nuvens
o clamor do hediondo e o instante funesto
2.
há muito apreendi o tremor que o céu cala
silencioso e trémulo permaneço sem alento
um indescritível pavor me ensombra a alma
a prudência reclama a língua da estranheza
3.
como hei-de eu enfrentar a astúcia e a mentira
perdoando aos que exultam a auctoritas divina
lacônicos julgam sobriamente a voz do sagaz
4.
no rasto do que se expande o crime se mantém
o absurdo mata de novo e a arrogância ascende
Porto, 6 Novembro 2009
quarta-feira, 4 de novembro de 2009
LINGUAGEM DO SILÊNCIO
entre as túlipas deslizo imperturbado na voz humecida o inflexível corpo
torno-me esquivo emerso na linguagem do silêncio e quiçá da morte
rendido ao arcano maior do tarô as imagens do anónimo escuto schoenberg
sobre a erva me reclino na luz pelo canto matutino o sono denso o rastro do imensurável
adormeço cada noite sobre as marés no branco que enlouquece a pedra incandescente
ante a música do irrecuperável perco-me na boca sequiosa a areia branca e intranquila
visualizo o odor febril e doce no esgar da nudez permeço à tua espera absorto
por sobre o intransferível transporto o fulgor do ininterrupto o alarme das nuvens e isso é tudo
torno-me esquivo emerso na linguagem do silêncio e quiçá da morte
rendido ao arcano maior do tarô as imagens do anónimo escuto schoenberg
sobre a erva me reclino na luz pelo canto matutino o sono denso o rastro do imensurável
adormeço cada noite sobre as marés no branco que enlouquece a pedra incandescente
ante a música do irrecuperável perco-me na boca sequiosa a areia branca e intranquila
visualizo o odor febril e doce no esgar da nudez permeço à tua espera absorto
por sobre o intransferível transporto o fulgor do ininterrupto o alarme das nuvens e isso é tudo
segunda-feira, 2 de novembro de 2009
VOZ HUMEDECIDA
Entre as túlipas deslizo imperturbado na voz humedecida
Torno-me esquivo emerso na treva
Rendido ao arcano maior do tarô
Sobre a erva me reclino o canto matutino
Adormeço no branco a pedra incandescente
A música no esgar da nudez à tua espera absorto
Por sobre o fulgor da luz o alarme das nuvens
Torno-me esquivo emerso na treva
Rendido ao arcano maior do tarô
Sobre a erva me reclino o canto matutino
Adormeço no branco a pedra incandescente
A música no esgar da nudez à tua espera absorto
Por sobre o fulgor da luz o alarme das nuvens
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