a sua escrita - zodíaco - obliquidade - água marinha - mente esquiva - por detrás da opacidade - o segredo - ilha - mapa ao revés - sal do prolixo -
segunda-feira, 20 de agosto de 2012
sexta-feira, 17 de agosto de 2012
ORLA DO ESPARSO - CAL E MOLUSCO - RETINA IMPRECISA -
confinado ao que cessa - a câmara clara - sua presença porosa - luz reflectida -
orla do esparso - cal e molusco - película - mar exalado - retina imprecisa -
orla do esparso - cal e molusco - película - mar exalado - retina imprecisa -
quinta-feira, 16 de agosto de 2012
VOZ - IRREDUTÍVEL - MAR E SAL - DO EXPLÍCITO -
sob o céu amplo - por entre a luz incontida - a sua voz - irredutível - mar e sal - do explícito - vaga do irresoluto - espuma que se dissipa -
terça-feira, 14 de agosto de 2012
A FALÉSIA - O ASTROLÁBIO E O SAL DO INEXCEDIDO -
eu me abandono ao mar latente - e à furtiva espuma - os mapas e o céu do aéreo - e tudo esqueço - nas manhãs - da luz - indefinida - a falésia - o astrolábio e o sal do inexcedido -
sexta-feira, 3 de agosto de 2012
IRREPARÁVEL - DESÍGNIO - VERE ESSE - INFLEXÍVEL INCONGRUENTE -
escutando o irreparável - desígnio - vere esse - no alento do irreversível - ir forçando a memória - do incoerente - vislumbrar - o fracasso e a decepção - inflexível incongruente -
quinta-feira, 2 de agosto de 2012
O SAL DO IRREVERSÍVEL - A LÍNGUA DO IRRECUPERÁVEL -
confinado à intempérie - o sal do irreversível - busquei a lucidez - do implícito - a língua do irrecuperável - nesse desígnio - matricial - as nuvens do indescritível -
quinta-feira, 26 de julho de 2012
LANCE DE DADOS - MAPA - IRREVERSÍVEL - LIAME DO INSOLÚVEL -
a palavra do anónimo - lance de dados - mapa - irreversível - voz - do veemente - ténue miséria - fragilidade do bem - liame do insolúvel -
saber-me no incongruente - sobre a nave - de pedra - humedecida - a abóbada indefinida - a pluma - ave - inadiável -
cativo da imagem dúbia - do êxtase devolvido - o tempo que resvala - na ampulheta - mar e o céu que se dissipam -
saber-me no incongruente - sobre a nave - de pedra - humedecida - a abóbada indefinida - a pluma - ave - inadiável -
cativo da imagem dúbia - do êxtase devolvido - o tempo que resvala - na ampulheta - mar e o céu que se dissipam -
quem subsiste na luz - do meticuloso - pela biografia - se revela no súbito devaste - dos rolos da torah - o grito - imprevisto ? -
terça-feira, 24 de julho de 2012
LUZ DÚBIA - FRÉMITO DAS NUVENS - VOLUTAS DO IRREVERSÍVEL -
permanecer na luz - dúbia - sob o frémito das nuvens - as sereias - réstias de sal - volutas do irreversível - entre as naves do íngreme - pedra e céu - do incisivo -
quarta-feira, 18 de julho de 2012
NUVEM DE CAL - SAL DO INEXISTENTE - MAR INDISCRIMINADO -
Onde a nuvem de cal - o frontispício - a subtraída minúcia -
Do que não cessa ?- O sal inexistente - inalcançável verdade ? -
Sob o arco - de espuma - a rama dourada - por entre o céu -
Do defnitivo ?- O incêndio da luz - a nave do aéreo - a serpe ? -
Atlas - de pedra nativa - gárgula - mar - do indiscriminado ? -
Do que não cessa ?- O sal inexistente - inalcançável verdade ? -
Sob o arco - de espuma - a rama dourada - por entre o céu -
Do defnitivo ?- O incêndio da luz - a nave do aéreo - a serpe ? -
Atlas - de pedra nativa - gárgula - mar - do indiscriminado ? -
sexta-feira, 13 de julho de 2012
VOZ REFRACTÁRIA - TÁCTIL - INTRANSFERÍVEL - SAL E ESPUMA - DO INCESSANTE -
O que subjaz na luz - irrecuperável - na voz refractária - táctil - intransferível - sal e espuma - do incessante - nesse sono denso - vácuo dos pulmões - a lente - onde me reclino - imagem inatingível - da medusa - cemitério marinho - mapas e céu exasperado - fotón - incêndio do inflexível ? -
segunda-feira, 2 de julho de 2012
POR SOB A LUZ ELÉCTRICA - FRÉMITO DA ASMA - RESPIRAÇÃO DO INALCANÇÁVEL
permanecer convalescente - na cegueira irremediável - pelo mar inigualável - por sob a luz eléctrica - aguaceiro inexplicável - os rins - frémito da asma - respiração do inalcançável -
sexta-feira, 22 de junho de 2012
O AGUACEIRO - O PÁTIO E A CASA - ODOR DO SARGAÇO - MAR INALTERÁVEL -
por sobre as dunas - a convulsão do aéreo - o aguaceiro - o pátio e a casa - cal do definitivo - odor do sargaço - mar inalterável - nesse afã do inábil - meu legado - maturação dos fotogramas - imagens do resoluto - sinais do intransponível -
quinta-feira, 21 de junho de 2012
CÂMARA OBSCURA - IMAGEM DESBOTADA - ALENTO DO IRREVERSÍVEL -
tenho que retomar a câmara obscura - na ânsia do circunspecto - o signo cifrado - nas figuras do intrínseco - percorrer a imagem desbotada - no alento do irreversível - perpetuar a profusa - indecibilidade - inviável desconcertante -
quarta-feira, 20 de junho de 2012
ESCURIDADE - DA MENTE - SOBRE O INÓCUO -
buscámos a insuperabilidade da linguagem - o mar irrevogável - através da insana claridade - dos mapas - a veracidade da lâmina - palavra a palavra - a escuridade - da mente - sobre o inócuo - a cegueira do exangue -
terça-feira, 19 de junho de 2012
INÚTIL COMEDIMENTO - PALAVRA MOTIM -
partir esquecendo a poeira sideral - possessão do corpo - irrecusável contrição - o marasmo e a demagogia - sobre o que inventamos - o inútil comedimento - palavra motim - bênção do desprezo - no que abdiquei - para expurgar a veemência do poder - que ousa ser o incitamento à falência - a rota da miséria e do medo -
quinta-feira, 14 de junho de 2012
PEDREIRA - IMAGEM DO EXÍGUO - PULMÃO INACTIVO -
por detrás dos mapas - em noites de abandono - o céu pesado - as baleias da gronelândia - do que ficou a premência do gelo - súbita a pedreira - do irresoluto - semicerrada imagem - do exíguo - pulmão - inactivo - inexorável - corpo - do aéreo - indelével nau - torre - do obstinado - luz esmaecida - bosque interminável - voz narcótica - sobre a lousa e o arcano -
terça-feira, 12 de junho de 2012
NUBLADA A VISTA - LENTE DESFOCADA - EM MARÉ-VIVA
a sequência do erro - opacidade que ficou - nublada a vista - sobre seu corpo - submerso - a lente - desfocada - em maré-viva - rente ao sargaço - o areal - de pedra - indefinida -
segunda-feira, 28 de maio de 2012
CLAREZA DO INÓCUO - LENTE NUBLADA -
sob a clareza do inócuo - minha lente nublada - mente dúbia - para extrair uma só foto - do contíguo - o passadiço - mar do exangue -
sábado, 26 de maio de 2012
IRRELEVÂNCIA CAUSAL - CATÁSTROFE - O QUE SE DESMORONA -
sobre a irrelevância causal - de quanto julgo saber - desenhando - só - para expurgar a catástrofe - na presunção - do exaustivo - o que se desmorona -
terça-feira, 22 de maio de 2012
PRIMITIVO, PRIMORDIAL, PRIMEVO
xamanismo e demonologia das origens
Elisabete Pires Monteiro (Sully-sur-Loire, 1974) concede um lugar decisivo ao “arcaico” e ao “primordial”. Encontra-se aqui a parcela de acerto entre o mito e o rito. Os rituais, segundo vimos, tornaram-se, pois, no mundo grego arcaico, muitas vezes a origem dos mitos. Mais que um enquadramento das unidades de significado - os traços distintivos - importa considerar uma arte (originária e original) que nos remete às figurações do xamanismo (susceptível de ser apreendido enquanto manifestação). Trata-se de uma pintura que veicula a protociência da sociedade primitiva: a magia branca e a magia negra (considere-se, por exemplo, a feitiçaria, o encantamento, a bruxaria, o curandeirismo, a taumaturgia, etc.).
técnicas do êxtasse
Entender estes quadros requer transladar-mo-nos à terra dos xamãs. São eles, efectivamente, que colocam o acento não apenas nas técnicas (difíceis) do êxtasse, mas também na tomada de consciência das forças do tabu e do maná, só se compreendem bem no contexto da experiência da demonologia das origens. “É verossímil - segundo Walter Shubart - que a religiosidade humana tenha-se despertado à vista do primeiro cadáver. Mesmo as formas mais primitivas da religião, no totemismo, por exemplo, atestam, ao mesmo tempo, o terror colectivo e a veneração cultual. O tabu engloba os conceitos aparentemente inconciliáveis de sagrado e de impuro. Os dois se unem no conceito mais amplo do inacessível, do intocável. Entrelaçam-se, assim, o medo divino e a repulsão demoníaca” (Eros e a Religião, 1975, p. 13). Retornemos todavia à consideração dos experimentos de uma arte (cena) "primal" como: primitivo, primordial, primevo. Um ante- tematizar, "mostrar" ao invés de "dizer".
Ceux qu'ils restent
Acrílico sobre tela
tremendum et fascinans
Na pintura de Elisabete Pires Monteiro desvenda-se a familiaridade com um sistema simbólico do qual participa e cuja lógica é directamente a do xamanismo. Na sua arte circula num constante vaivém do olhar xamanístico para o olhar do pintor-etnólogo: o “mysterium tremendum et fascinans”. Falámos dum “primitivismo” mágico-religioso (inconsciente, espontâneo) da psique humana, da emergência de uma lógica (ou de uma cosmovisão) que opera por meio de técnicas arcaicas do êxtasse e coincide com os conjuros e a prestigitação, a adivinhação e a teurgia, os amuletos-talismãs e santos-e-senhas de magia. Devemos contudo notar que o xamã enquanto homo religiosus vive o influxo da sacralidade da natureza e a religião cósmica. Referimo-nos às viagens místicas ao céu e as descidas ao inferno, a conversação com Deus, seres semi-divinos e as almas dos mortos, etc., e isto é capital.
Taumatúrgo, Xamã
Acrílico sobre tela
“sagrado selvagem”
Trata-se de determinar aquilo que esta pintura evoca: os xamãs - o inter e o trans-mundo - o motivo do sacrifício - o “sagrado selvagem” (Roger Bastide). Podemos aliás facilmente verificar, na arte de Elisabete Pires Monteiro, uma espécie de formalismo que nos remete para as simbolizações primordiais e os caracteres arquetípicos . É aqui que intervêm o inconsciente, a compulsão à repetição. O xamã - como Mircea Elíade admite - é o grande especialista da alma humana. Só ele a “ vê”, porque conhece a sua “forma” e seu destino” (El chamanismo e las técnicas arcaicas del êxtasis, Fondo de Cultura Económica, 1960, p. 23). Digamos que a problemática do xamanismo, a que o autor de “O Sagrado e o Profano - A Essência das Religiões” deu tanta importância, reaparece, uma vez mais, como via de acesso dos poderes mágico-religiosos.
Trans-mundo
Acrílico sobre tela
visão, theoría
De uma coisa podemos estar certos: a persistência de um certo pathos xamânico nas sociedades arcaicas. O que está em jogo, então, são as técnicas e ideologias mágico-extáticas, aquelas que, de facto, dizem respeito ao esquema cosmológico “clássico”. Note-se bem, e insistimos mais uma vez, neste ponto, que a própria etimologia do êxtasse alude ao voo ou viagem fora da nossa particularidade. O problema está posto em termos de uma a espiritualidade tribal que se reduz em última instância à dialéctica do transe. Podemos mesmo afirmar, partindo de F.M. Cornford, por exemplo, que a Grécia Antiga assimilava a verdade com a visão. Curiosamente as tradições xamãnicas também entenderam a verdade como visão (que revela e permite ser). Já Aristóteles havia procurado a origem do pensamento religioso na realidade das experiências psíquicas. O conceito de theoría, mediante o que descobre a suprema experiência do sagrado pelo homem, expressa em primeiro lugar a realidade física de uma visão, cuja semelhança com as festas religiosas colectivas de Olímpia e com as Dionisíacas ele mesmo sublinha.
Alexandre Teixeira Mendes Porto, 17 de Maio de 2012
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